CONTO @ FORMAS BREVES

Em mãos, num clique => ‘O Réveillon de Max Richter’

[trecho]

Sei que deve fazer muito tempo que não se diz o Nome em nossa casa, porque olho para Tula, na poltrona diante da minha, e é esta sua versão gasta que enxergo agora, não a que vejo nos meus sonhos de festas e viagens, de imagens de outro tempo. Imagens que vêm do mesmo lugar de onde saiu o Nome. Vêm da época em que até ela sonhava.

Tula sonhava. Éramos crédulos. Não passava pela cabeça da gente que podíamos, talvez, ter chegado atrasados ao mundo. Que tudo já havia sido feito e consumido, que nos sobrava o regurgitado, o já dito, escrito e reescrito. Nunca achamos isso – nós, novos, não. Tudo o mais já era velho.

p.s.: há erros que merecem revisão no texto citado? sim. ai do mundo sem os erros. história, há? sim. ai de mim sem histórias.

10402587_605960786200101_1547670273558059904_n

XAMÃ DO 15o. ANDAR

Trecho de “XAMÃ DO 15o. ANDAR”, conto original meu, em português, traduzido por Michael Kegler para a antologia alemã de autores brasileiros da Lettrétage:

“(…) Na rua pra buscar o bicho noturno, alta madrugada, a caminho do Jardim de Allah, onde certamente irei encontrar rattus norvegicus e rattus rattus próximo ao canal, na altura do Bar Vinte parei pra prestar atenção na zona que uma garota tocava de pé em cima de uma das mesas do botequim, na calçada, aos berros. Brandia um copo de chope enquanto derramava a bebida sobre o trio de marmanjos jovens como ela, presumivelmente seus amigos, hipnotizados e grogues, colados à mesa. Anunciou o propósito imediato de tirar a roupa. Gritou duas, três vezes como quem ameaça um massacre. Os amigos Nem por um cacete Não vai porra nenhuma. Gente tomando noutras mesas a saideira travou a língua e se virou pra encarar. Bêbados ensimesmados despertaram e chegaram perto com a promessa de um striptease e de uma ereção. A garota era nova. Chutou as sandálias de dedo universitárias do alto da mesa de madeira bamba, bicou o chope, propôs:

– Quem dá R$ 10 pra eu tirar a blusa? Quem dá quem dá?

Os trio de amigos protestou com mais veemência. Um deles, justo o mais franzino, tentou agarrá-la pelas pernas e dominá-la, levou um coice. Ela brincava com as alças da blusinha e repetia a oferta. Uma mulher que estava acompanhada de um sujeito mais velho, numa mesa bem de frente pro palanque, levantou-se com uma nota de dez e a entregou à garota. O bar relinchou. Os amigos entregaram a Deus (um deles até trouxe outro chope pra maluca). Ela arrancou a blusa, desabotoou o sutian nas costas e tomou outro gole. Seios médios, firmes com marca de biquíni recente. Houve um pouquésimo de segundo de silêncio na calçada. Então ela fez o que – agora sim – tirou do sério sua plateia.

– Eu escrevo poesia no Brasil! No Brasil! Tirar roupa não é nada! – Ganiu, levantando os braços e balançando um pouco os peitos, com o que se viu que eram bastante naturais. – É loucura escrever num país que não lê! Ver bunda todo mundo quer… Quem quer ver a minha bunda? … É cinco pila!

Metade do preço dos peitos. Ela levantou a saia pra revelar um pedaço de coxa dos mais íntimos e virou-se para exibir a carne correspondente da parte posterior

– E aí, Ipanema? Quem é que patrocina o traseiro?

Silêncio no Bar Vinte. Desta vez nenhum pagante. É verdade que ninguém quer saber dos poetas – na noite do Rio o freguês costuma ter raiva daqueles tipos que vendem seus livretos xerocados com versos, de mesa em mesa, pelos bares e restaurantes dos baixos; e tem raiva também, ao que parece, dos que mostram a bunda por dinheiro.

A garota terminou sua bebida e só então vestiu a blusa pra dar seu punchline, quase um resmungo, ao descer da mesa:

– Um corpo também é uma roupa. (…)”

Invasão de realidade

POR CECILIA GIANNETTI O futuro da propaganda é a realidade, e essa realidade inclui muita mulher no controle. É Cindy Gallop quem diz. Se eu trabalhasse com isso, lhe daria ouvidos. Aos 52 anos Gallop é uma empresária e consultora bem-sucedida que levantou fortuna fazendo tudo o que gosta. Sua apresentação de cerca de quatro minutos no TED de 2009 foi a mais falada do evento, em que apresentou seu plano de ataque contra a “pornografização da cultura: uma atitude doentia generalizada a respeito d sexo e da sexualidade, movida pela indústria pornográfica.”

Por falar em realidade, Gallop é fundadora justamente de um website que define como feminista, mas não pornográfico (no sentido da pornografia predominante) o MakeLoveNotPorn, cuja crescente coleção de vídeos é a antítese da estética do cinema e vídeos pornôs de internet. Do site:

“MakeLoveNotPorn não julga, nem aponta o que é bom e o que é mau. Sexo é a área da experiência humana que abrange um enorme número de gostos possíveis. Todos devem ser livres para saber o que gostam de fazer e o que não gostam. MakeLoveNotPorn não é anti-pornografia. Eu gosto de pornografia e vejo pornografia regularmente.  MakeLoveNotPorn destina-se simplesmente a ajudar a inspirar e estimular diálogos abertos, saudáveis sobre sexo e pornografia, a fim de ajudar a inspirar e estimular relações sexuais mais abertas, saudáveis e completamente agradáveis.”

Em entrevista à comediante Katie Goodman, dispara: “Sentir-se degradada e fazer o que faz só pelo dinheiro não é exclusividade do universo da pornografia ou de strippers. Sentir-se degradada e fazer o que faz só pelo dinheiro é uma realidade em qualquer setor de qualquer indústria que se possa enumerar.” Se você já trabalhou em um lugar que detestava e talvez um ou vários funcionários que gostavam de fazer “brincadeiras impróprias” constantemente, você entendeu a que se refere a frase acima e talvez neste instante tenha sentido necessidade de reprimir algumas memórias desagradáveis que estavam guardadas, com a ajuda de um benzodiazepínicos que além de mundialmente adorado custa bem barato nas nossas farmácias. Mas o que interessa é que a mensagem chegou até você, não é? Toma uma abraço. Quem ainda não sabe que isso acontece nos mais variados ambientes de trabalho, ou se nega a acreditar, por vocês não podemos fazer nada. Volte para o pornhub. Senão, tem mais: “E em termos do tratamento que as mulheres recebem em alguns ambientes de trabalho, ele pode ser tão pavoroso e basicamente degradante e deprimente quanto qualquer experiência de uma stripper.” Discutir a estética da indústra pornográfica não é objetivo da coluna, deixamos isso para pesquisadores com mais tempo livre e tesão por tomos de centenas de páginas, que certamente deve ser o que resultaria de um estudo sobre o tema. Mas um exemplo da indústria de filmes pornográficos “amadores” resume a questão levantada por Gallop com o seu MakeLoveNotPorn. Ele é bem diferente do que se encontra em sites de “amadores”, como o Home Grown Video. Este afirma que trabalha com vídeos feitos por “gente comum” em circunstâncias totalmente livres. Porém, o Home Grown Video, entre outras coisas, dita onde cada casal deve posicionar sua câmera – o que não é uma política inocente: os ângulos captados de acordo com essa exigência acabam sendo os mesmos ângulos usados em filmes pornô com gente fazendo sexo aeróbico em vaginas que passaram por cirurgias plásticas. No final, os casais “amadores” tendem a tentar reproduzir o que já é feito pela indústria pornográfica. O Home Grown Video oferece inclusive instruções sobre como cada garota “amadora” deve se comportar e gemer diante da câmera. E, ora, sabemos que quase toda a pornografia na web rotulada de “amadora” é feita por produtoras profissionais se passando por “amadores”. A história contada por Gallop sobre sua passagem pelo encontro internacional de publicidade Cannes Lions Awards Festival dá conta de como a pornografia pode influenciar a publicidade e velhos hábitos de gente comum. “Assim que cheguei em Cannes corri para a praia pública e arranquei a parte de cima do meu biquíni. Aí olhei em volta e ninguém mais estava de topless.” Estranhou. Fazia cinco anos que não ia a Cannes, mas nas vezes anteriores em que frequentou a praia lá, tinha mulher de topless pra chuchu. “Então voltei pro meu quarto e tuitei sobre isso. Eu disse, “França, qualé? Por que eu era a única mulher na praia em Cannes com meus peitos de fora?” E aí uma das minhas seguidoras me mandou um link para um artigo que afirmava que, de acodo com uma pesquisa feita na França anquele ano, mulheres mais velhas, da minha geração, sentiam-se felizes, confortáveis na praia de topless. (Antiga prática nas zoropa). Mas a esmagadora maioria das mulheres mais jovens não tiram mais a parte de cima dos biquínis ou acham que é um problema fazê-lo, porque têm vergonha do próprio corpo. Então eu disse à minha plateia em Cannes: eu sei exatamente de onde é que vem isso. Quantos de vocês trabalham com planejamento estratégico em publicidade? Mãos se levantaram. Aí eu falei: quantos de vocês, do planejamento estratégico, falam com o departamento criativo, ou seu cliente, ou toda a equipe que detém uma conta sobre que o seu público-alvo para tal campanha é um jovem de 18-24 anos de idade e ele tende a ter um determinado de trabalho e ele vê entre duas e quatro horas de pornografia de dia ou de noite e é isto que lhe causa impacto sobre a maneira como ele percebe as mulheres e se relaciona com a namorada. Silêncio mortal.” Na mesma fala em Cannes, Gallop afirmou que o futuro da publicidade está entregue ao olhar feminino “uma vez que as mulheres são a maioria das compradoras na maioria dos setores de mercado, a maioria dos usuários de mídias sociais são mulheres, e elas também se expressam mais via meios digitais do que os homens.” No entanto, hoje, a maioria da propaganda que tem como target a mulher é criada por homens, e a maioria das pessoas que avaliam a criatividade investida nessa propaganda é masculina, diz. No próprio Cannes Lions de que participou, quando ocorreu o episódio da praia, cada um dos jurados era homem. “Esta palestra não é sobre responsabilidade social nem estou aqui dizendo que as marcas devem enxergar isso como um problema; sou eu dizendo que o futuro da publicidade e da propaganda não tem nada a ver com estereótipos, o futuro da publicidade e da propaganda tem a ver com o real. O olhar feminino e a criatividade feminina empregados na publicidade, segundo informou a plateia do festival, vai trazer um novo approach ao meio que deve apetecer tanto ao público masculino quanto ao feminino.” É ver para crer. *** Cindy Gallop também fundou o If We Ran The World, que reúne plataformas de ação e usuários (chamados de empresários) dedicados a espalhar sua ideia e cooptar mais gente para transforma-la em realidade. Pode ser algo bastante simples e concreto, como, digamos, obter a instalação de bicicletários em seu bairro, ou mais subjetivo, como “Conseguir levar as pessoas a pensar realmente a respeito de como querem viver.”

poem #5

I had a black and white satin dress
On, It made my maiden years seem mere playful
Song.

In it I sat and played with my supermodern cellphone on my lap
It has lights which sparkle and such
When Voices reach out to me through its wireless throat

Me and you – worlds apart
Like me and the cellphone

I too sparkle (the black and white satin dress, and a little jewelry hanging from my neck)

But I sit still – wait

Like I was made up by a 19th century girl who
Thought she could create characters out of her loneliness and very limited society.

When I let out a sigh
I notice I am wearing a cleavege that could easily be Victorian
And that my heart is as old as my fashions

That this cellphone of mine is as useless tonight than it would be on any 19th century night or day

And that gentlemen of your likeness, you have travelled trough time.PQAAAPfWi9FstPUBu-mrKMFvvcJB1i0_t6OFuesvBPvrsnJ0xl97V1rE18pV66XB3Jp_PUhFs_edDHxnK01EcCucyGMAm1T1UMTR2CDLlHaLH6ir8FD6U1JfXZ1B

O Passado e O Futuro do Presente

POR CECILIA GIANNETTI

[Esta coluna é prima da de ontem, “Todo mundo junto agora“]

Eu me lembro muito bem da estreia da MTV no Brasil, a terceira versão do canal fora dos Estados Unidos. Em outubro de 1990, poucos dias depois de ela entrar no ar, eu estava sentada, em um dia de semana, horário de aula, assistindo à programação predominante de videoclipes que se repetiam a cada hora quando uma vizinha colocou sua cabeça loira oxigenada pela janela da minha sala para opinar sobre o meu Futuro.

Seu vaticínio era tenebroso: se eu não voltasse imediatamente ao colégio para terminar aquele ano letivo, eu acabaria morando debaixo de uma marquise com um cachorro.

– Não pode ser um gato? Não cresce tanto e eu imagino que a marquise será curtinha e os jornais também não são muito largos. Pra cobrir um pastor alemão, por exemplo, eu precisaria de muito mais espaço e jornais maiores (mal sabia, naquela época, que muitos jornais brasileiros adotariam no Futuro o formato tabloide, ainda mais curtos pra se usar como cobertor).

Ela resmungou alguma coisa sobre mendigos e vira-latas e retirou a cabeça da janela, seguindo caminho até a segunda casa à esquerda da minha, onde mantinha encarcerados dois filhos, alunos da mesma escola, para quem tinha um Futuro bem planejado e a quem fazia cumprir todas as ordens que eu havia driblado naquele outubro de 1990 – tais como: terminar o ano letivo obediente e uniformizada acompanhando todas as aulas, inclusive as extras, nos finais de semana.

Não vou comentar o que aconteceu no Futuro real, o não-calculado milimetricamente pela vizinha, com os seus filhos, porque a web é um campo minado onde todos os fantasmas do passado ressurgem para nos assombrar, especialmente se você pisa num calo deles. Digo apenas que não saiu exatamente conforme o planejado. Não saiu nada conforme o planejado. Embora eles tenham terminado direitinho aquele ano, naquela escola.

Enquanto que eu.

Em setembro eu fiz um dos únicos cálculos em que obtive resultado correto em toda a minha vida. Eu não lido bem com números. Deixo o espaço que ocupariam no meu cérebro para aprender a lidar melhor com as letras (a menos que estas venham acompanhadas de números e sinais como em

et al) e espero que um dia esse esforço alfabético me valha.

Como eu ia dizendo: em setembro daquele ano eu havia calculado as notas que eu precisaria atingir para passar direto em Físico-Química, Física (aulas teóricas complementadas por aulas práticas no Laboratório de Física, ou seja, uma matéria em que, além de não saber calcular as fórmulas corretamente, eu podia explodir a gente), Química, Matemática e Geometria.

Eu era extremamente realista e conhecedora das minhas limitações no que dizia respeito a equações e quetais. E, por mais que eu fosse ruim em cálculo, reconheci que as notas de que eu precisava pra passar eram números inatingíveis. Ainda que eu ficasse o Natal e as férias de janeiro em recuperação, não havia qualquer garantia de que aqueles parcos meses seriam suficientes para implantar na minha cabeça modelos de raciocínio que eu rechaçava inconscientemente por falharem em apresentar um terço do charme das crônicas do Paulo Mendes Campos, que eu tinha acabado de descobrir.

Sem contar que era uma escola com currículo e disciplinamento voltados, desde o Jardim de Infância, inteiramente pra Passar no Vestibular. Eu nem sabia ainda com o que eu iria querer trabalhar mais tarde, bem mais tarde. Não fazia sentido.

E não só isso. Tratava-se da escola mais cara de toda a Ilha do Governador. E quem pagava essa conta, sozinha, era a minha mãe, militante ferrenha da máxima – vocês vão se lembrar da primeira vez em que ouvi isso clicando aqui – “Dinheiro Não Dá em Árvore”, que é uma frase que gente que tem grana de verdade raramente profere sem dar uma risadinha interna.

Se Dinheiro Não Dava em Árvore, que diabos eu estava fazendo naquele estabelecimento dos infernos? A escola era cara mas não era perfeita, com colegas de classe grávidas na adolescência, alunos matando aula para beber e professores que atiravam walkmans e outros pertences de alunos no telhado das Casas da Banha, o supermercado vizinho, pra assustar a gente.

Tudo culpa da vizinha que metia a cabeça pela janela da minha sala pra opinar sobre as nossas vidas:

Talvez porque pensássemos que ela estacionava a Delorean do “De Volta Para o Futuro” na garagem de sua casa e que voltava dos anos 2000 ao presente de 1990 para nos ajudar a corrigir um terrível erro de escolha didática, concordamos com ela quando decretou que o meu Futuro Perfeito estaria garantido se eu estudasse na mesma escola que os seus filhos.

Mas com os resultados do meu cálculo em mãos e a MTV chegando ao Brasil, era o meu momento de argumentar contra a teoria do capacitor de fluxo da vizinha, a sós, com a provedora da casa.

– Eu não vou passar. Você vai torrar uma grana à toa. Em cinco meses começa outro ano letivo. Eu vou pra outra escola, repito de ano. Fim do problema. (Além do mais eu peguei a Delorean da vizinha e vi que em 2010 o químico, historiador e jornalista Andrew Robinson vai lançar um livro afirmando que a escola atrapalha a genialidade. E de qualquer maneira ele diz no mesmo livro que no Futuro nós teremos cada vez menos gênios.)

Durante o meu período sabático aprendi a tocar violão e li livros que me interessavam, além de não ter ficado grávida nem vomitado cerveja quente depois da aula na porta das Casas da Banha. Mas, ei, não estamos aqui para julgar ninguém.

Quando comecei na escola nova, sem a pressão pró-vestibular, aprendi coisas que achava que nunca conseguiria realizar, como a mira perfeita com zarabatana de Bic e bolinha de papel com cuspe e

Ou coisa parecida.

Na hora de enfrentar a prova de fogo para entrar na universidade, passei. E a provedora do lar acabou economizando uma nota preta, do tipo que Não Dá em Árvore.

Meu discurso pra minha mãe foi um pouco diferente daquilo que escrevi ali em cima, mas a essência dele foi preservada. “Quando uma coisa não tem remédio, remediada está.” E a MTV foi um excelente calmante para todos lá em casa entre outubro de 1990 e março de 1991, meu sabático.

Que a VEVO TV, de que falei aqui ontem, possa fazer o mesmo pelas novas gerações, substituindo o Rivotril e a Ritalina desde sua mais tenra idade.

STILL I RISE

You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may trod me in the very dirt
But still, like dust, I’ll rise.

Does my sassiness upset you?
Why are you beset with gloom?
‘Cause I walk like I’ve got oil wells
Pumping in my living room.

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I’ll rise.

Did you want to see me broken?
Bowed head and lowered eyes?
Shoulders falling down like teardrops.
Weakened by my soulful cries.

Does my haughtiness offend you?
Don’t you take it awful hard
‘Cause I laugh like I’ve got gold mines
Diggin’ in my own back yard.

You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I’ll rise.

Does my sexiness upset you?
Does it come as a surprise
That I dance like I’ve got diamonds
At the meeting of my thighs?

Out of the huts of history’s shame
I rise
Up from a past that’s rooted in pain
I rise
I’m a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.
Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that’s wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise.

                         – Maya Angelou