Arquivos da Tag: yes

HELP

- I am not here to please you, Devon.

- That I already know, Cath.

- I’ve come to offend you, Devon. But I am not yet sure about how I am supposed to do it. Maybe if you gave me some clues as where I should start, I could follow your lead and then we’ll see what happens.

- Ok. I’m a worm.

- You’re warm.

- I’m useless.

- Without me.

- I’m a smoker.

- And a drinker (I think I’m getting the gist of it, Devon. thank you!). And so am I.

- Maybe I do understand you.

- That I could never account you for, Devon. Don’t be that hard on yourself.

- I’m sorry.

- I’m sorry too.

BRAIN REWIRE #12

CHAVE PRETA

The Black Keys – Lonely Boy (RSD Exclusive) from wbrdigital on Vimeo, via Boom Bop, casa de música e finesse na web.

STILL I RISE

You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may trod me in the very dirt
But still, like dust, I’ll rise.

Does my sassiness upset you?
Why are you beset with gloom?
‘Cause I walk like I’ve got oil wells
Pumping in my living room.

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I’ll rise.

Did you want to see me broken?
Bowed head and lowered eyes?
Shoulders falling down like teardrops.
Weakened by my soulful cries.

Does my haughtiness offend you?
Don’t you take it awful hard
‘Cause I laugh like I’ve got gold mines
Diggin’ in my own back yard.

You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I’ll rise.

Does my sexiness upset you?
Does it come as a surprise
That I dance like I’ve got diamonds
At the meeting of my thighs?

Out of the huts of history’s shame
I rise
Up from a past that’s rooted in pain
I rise
I’m a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.
Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that’s wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise.

                         – Maya Angelou

BELLOW

Há em toda a minha vida um padrão recorrente: recuperar as forças a partir de uma posição de extrema fraqueza.

Saul.

PRA FAZER

nove coisas.

 

 

QUEM PAGA

Em 1989 o marido de Marianne faleceu; ela tinha 36 anos e três crianças pequenas para criar. Decidiu escrever para Kurt Vonnegut e agradecê-lo por seus livros. Vonnegut respondeu:

WHITMAN

“The great city is that which has the greatest men and women. If it be a few ragged huts it is still the greatest city in the whole world.”

É PRECISO

FELIX CULPA

“Outrora, se bem me lembro – eu me lembrava”, ruminou para dentro de sua taça a amiga de colégio. “Então vambora”, retruquei, na sala de estar onde uma motocicleta CB 400 comprada no Mercado Livre (“Vintage, tem freio traseiro a disco, problema é que a síndica não deixa pôr moto na garagem do prédio”) ocupava boa parte do espaço entre a janela e o sofá. Sem piscar nem tossir: bastava arrumar a pequena mala. Pequena, sim: só se aprende a levar bem poucos sapatos, roupas, quase nenhuma buginganga de perfumaria, depois de se já ter penado algumas vezes arrastando peso inútil por estradas, rodoviárias e aeroportos. No mais, acolhidas na casa de um funcionário brasileiro da companhia para a qual a dona da moto trabalha, não me meto a levar muita tralha. E se for um bangalô mutcho loco e liliputiano? Melhor que a bagagem não ultrapasse meu 1,60m desta vez.

No primeiro dia em Ha’Iku (Maui), por incrível que pareça – e mesmo para mim, que a esta altura conheço bastante bem o inacreditável, este parece sempre mais normal que para meus amigos – avisto na rua um conhecido do Brasil. Há tempos só o encontrava na janelinha do Facebook, onde, conjugados em acenos eletrônicos discretos, tentávamos não perder o fiapo de realidade que nos une. Aqui não nos reconhecemos de imediato: na vida real, hoje estou de óculos de grau, e ele, cujo rosto aparece meio coberto por verdadeiras lunetas, aqui fora, no mundo, passeia sem elas.

E as pessoas que conhecíamos, tantos anos? “Perderam seus contornos essenciais, são outra gente” – eu quis julgar, mas aí achei que não devia me meter nesse papo roto no avião. Hoje são coisa diferente da confusão da juventude, o resto passou e foi. Agora fica o jet lag. Deve ser o vôo, a insônia, o sair por aí sem avisar. Como se tivesse entrado outra vez, para novo passeio, deslocado no tempo, no fusca roubado ao fim do último ano do ginásio. Espero Não há fusca nesta parte da ilha; às vezes olho pela varanda do hotel e tenho certeza de que jamais cuircularam carros por esta faixa de terra. E tudo é quase igual ao que se vê lá em casa, no bairro onde vivo; exceto pela poesia nostálgica que imprimimos à descrição dos recantos que, sabemos, só iremos visitar uma ou duas vezes na vida. E a luz de um poste que não consegue se decidir entre ficar acesa-amarelada e apagar-se totalmente, os pássaros que miram bondosos somente nos toldos do restaurante lá embaixo, mas acabam fazendo de banheiro um homem grisalho só e seu copo de vinho, à area descoberta. Ilesos por questão de segundos, um trio de americanos e sua pele translúcida passa pela mesa do velho sem notar o que o distingue dos outros homens que bebem na varanda, nesta pequena calçada particular, em que a única coisa que acontece, exceto o desastre do pombo, é um jogo de futebol local na TV. Toda a ilha boceja docemente, entregue à preguiça e à bebida. O falatório acelerado do locutor que narra a partida a todo momento leva a crer que um dos times está prestes a cometer um gol implacável; mas o locutor mente, imprime emoção onde ela não existe no jogo morto. O poste torto neste eterno apaga-e-acende, o futebol no zero a zero. Se quisessem saber “por que uma viagem tão sem propósito?”, eu ia dizer que se trata de um erro brilhante: colocamos países entre nós para justificar nosso silêncio. Felix culpa.